Metanoia e as Mulheres no mercado de trabalho

Metanoia e as Mulheres no mercado de trabalho

por Walkyria Rampazzo e Silva

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Resumo

Olhando para as mulheres de meia idade, da chamada Metanoia, é possível perceber neste momento a chegada do novo e a consciência dos aspectos e acontecimentos comuns nesta faze da vida. Este trabalho foi elaborado com base na vivencia pessoal da autora, pesquisas na bibliografia utilizada no curso de pós graduação em psicologia analítica, sugestões dos professores e estudo realizado no curso de extensão universitária em Mitologia Grega na visão do Junito de Sousa Brandão, na Universidade Federal de São João Del Rei. A ideia é de um olhar para os sentimentos das mulheres que estão atuando no mercado de trabalho e trazendo um víeis realista, sem, no entanto, trabalhar questões aprofundadas sobre aspectos psicológicos; apenas um pequeno voo rasante sobre o oceano.

Dir-se-ia que sofremos de uma hibris da consciência que nos induz a acreditar que o tempo de nossa vida é mera ilusão que pode ser alterada a nosso bel-prazer (Pergunta-se de onde a consciência tira sua capacidade de ser tão contrária à natureza e o que pode significar tal arbitrariedade? (Jung 802 1934)

INTRODUÇÃO

Quando uma mulher chega na metade da vida, ela se olha no espelho e percebe que o seu rosto não possui mais a aparência de quando ela possuía 20 anos e se pergunta: e agora o que será de mim?

Sempre que possível, nossa consciência recusa-se a aceitar esta verdade inegável. Ordinariamente nos apegamos ao nosso passado e ficamos presos a ilusão de nossa juventude. A velhice é sumamente impopular. Perece que ninguém considera que a incapacidade de envelhecer é tão absurda quanto a incapacidade abandonar os sapatos de criança que traz nos pés. (Jung 801 -1934)

Algumas pessoas quando jovem tem medo da vida, quando envelhecem tem medo da morte. Em ambas as situações o que pode ocorrer é o medo das exigências da vida, “mas estamos tão convencidos de que a morte não é senão o fim de um processo, que ordinariamente não nos ocorre conceber a morte como uma meta e uma consumação, como o fazemos, sem hesitação, com respeito aos objetivos e as intenções da vida jovem em ascensão”. (JUNG, 1934, 797)

Segundo Jung o ciclo da vida é dividido em 4 etapas não se aprofundando na infância e na velhice, tratando com mais ênfase a meia idade, salientando que a longevidade é algo que não é próprio de todos os seres humanos, mas de uma genética pré-estabelecida. Jung, acreditava que existe uma diferença na forma de pensar, agir, sentir quando as pessoas entram na meia idade, que pode ser considerada como um rito de passagem da idade adulta para a velhice. Esta mudança, na nova forma de enxergar a vida e agir é uma aceleração no processo de individuação, este processo não começa neste momento da vida, ele apenas se intensifica, pois, a relação entre ego e inconsciente acontece quando nascemos e continua até a morte, ou quem sabe alem dela.

“Um ser humano certamente não viveria até os setenta ou oitenta anos se a sua longevidade não tivesse sentido para a espécie” (JUNG, 1930, p. 349)

“O processo de desenvolvimento psicológico que faculta a realização das qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo mediante o qual um homem se torna o ser único que é” (JUNG, 1934, p. 50)

Esse processo de individuação pode ser traduzido como “tornar-se si mesmo” (Verselbstung) ou “o realizar-se do si-mesmo” (Selbstver-wirklichung) (JUNG, 2008 p.266). É aquele momento em que o ser humano passa a ser senhor de suas vontades e crenças, que aquilo que acreditava talvez por influência de terceiros passa a ser descartado, voltando para dentro de si, olhando para suas próprias crenças. Assim, é possível que pessoas se separem, mudem de religião, passem a ter gostos diferentes, façam coisas que não faziam antes e até mudem de profissão, trabalho ou aposentam.

O feminino é ameaçado na estabilidade do ego pelo perigo da distração, provocada pelo ‘relacionamento’, causada por Eros. Esta é a difícil tarefa com que se defronta qualquer psiquê feminina em seu caminho para a individuação: ela deve abandonar o anseio pelo que está próximo em função de um objetivo distante e abstrato. (BRAMDÃO V.II 1987 p.245)

Vários fatores contribuem para que a Metanoia possa ser um sofrimento para algumas mulheres, como a perda da beleza jovial, a entrada na menopausa, o ninho vazio, que acontece quando o último dos filhos sai de casa para seguir o seu caminho.
A mídia em geral está recheada de assuntos ligados à tratamentos que prometem uma aparência mais jovem, desde dos procedimentos cirúrgicos até tratamentos mais radicais, como a aplicação de ácidos, implantes de fios que visam melhor a aparência do envelhecimento, bem como a implantação dos mega cabelos, que são apliques de cabelo humano agregado ao cabelo natural da mulher.

No entanto, alem das mudanças externas, como textura da pele, aparecimentos da flacidez no físico, a maior mudança se dá no processo interno. É a partir deste momento que começa a acontecer a negação da proximidade da morte e a insistência em continuar vivendo com a aparência mais jovem a fim de ser aceita nos diversos meios sociais em que vive, independente da classe social e/ou cultural, pois as tinturas nos cabelos e os Botox estão disponíveis a todos, pois muitos destes procedimentos possuem pagamento facilitado, que a mídia promove para vender beleza, bem como a aquisição de um consorcio para fins de embelezamento.

Mas as mudanças externas não são suficientes para que a mulher possa se sentir plena, pois a Metanoia vai alem das mudanças físicas. Muitas vezes vemos nas ruas ou nas festas, mulheres se vestindo e se portando como as adolescentes. Quando as pessoas não vivem em seu tempo atual, mas sim no passado de quando era jovem, acabam tendo comportamentos inadequados, fora do seu tempo, na forma de pensar, agir.

Esses comportamentos só servem para retardar mais e mais o processo de individuação, pois o tempo é implacável, “ainda se parássemos os ponteiros do relógio, e imaginássemos que o tempo se deteve (JUNG 1934 799), mesmo assim, o nosso caminho continua rumo ao final da vida

MULHERES NO TRABALHO

Como é difícil para as mulheres que se encontram no melhor momento da carreira e são acometidas pela crise da meia idade, junto com a menopausa, viuvez, ninho-vazio, perda de um ente querido, etc.
É possível afirmar que neste momento algumas, mulheres comecem a se questionar sobre a validade da atividade que exerce; o que aconteceria se ela mudasse de atividade, profissão, será que ela conseguiria manter o mesmo padrão de vida que possui hoje? Será que ela vai conseguir uma nova colocação apesar da idade? E se ela começasse a trabalhar por conta própria?

Um trabalho publicado pela RAC- Revista de administração de empresas, relata na publicação pelo SciELO – Scientific Electronic Library Online:

No Brasil, as mulheres também são as que vivem mais. Dados da tábua de mortalidade indicam que os homens possuem uma expectativa de vida de 72,8 anos, e as mulheres, uma expectativa de vida de 79,9 anos (IBGE, 2018).

Considerando a pesquisa acima, podemos dizer que o meio da vida para as mulheres de hoje, começa aos 40 anos, isso se considerarmos que todas as mulheres viveriam até setenta e nove anos e 9 meses. Segundo Hollis, “A passagem do meio é mais uma experiência psicológica do que um evento cronológico”. HOLLIS,1995, p.24, ou seja, não tem idade exata para acontecer, mas acontece.

Ninguém sabe quando será o dia derradeiro. Jung relata que ao atender uma mulher de sessenta e dois anos, que negava as informações vinda do inconsciente por intermédio dos sonhos, e que muitas vezes eram desagradáveis, ela insistia em negar o significado. Após um tempo ela foi acometida de uma doença incurável e morreu. Então, muitas vezes o inconsciente nos alerta sobre a nossa morte. Eu mesmo que sou viúva, me lembro das coisas que meu marido, “saudável”, dizia no período que antecederemos sua morte: Depois você vai sentir saudade, olha aqui quando você for desligar a bomba d’água, não esqueça de prestar atenção nisso; vou vender o carro da empresa e quitar o empréstimos o mais rápido possível.

Ele faleceu aos 49 anos de mal súbito, sem causa aparente, apesar de ter sido feito autopsia. Lembro que na época ele tinha sonhos muito estranhos e sem “cabimento”, que eu jamais identificaria o significado. Segundo Jung, no período que antecede a morte, as pessoas tendem, compulsivamente a tentar corrigir tudo o que está errado, isto deve apontar para o que irá acontecer, a morte. (JUNG, 1934 item 809)

Pesquisadores apontam que há uma maior valorização do homem em idade avançada e do jovem em detrimento das mulheres que envelhecem (Barrett & Nauman-Sessions, 2016), especialmente em âmbito organizacional.

No entanto, apesar das mulheres serem maioria na população e apresentarem maior expectativa de vida, o processo de envelhecimento pode ser vivenciado por essas mulheres a partir de eventos de discriminação por conta do gênero e da idade, uma organização ou até mesmo uma sociedade. (FINEMAN 2014, P. 1719-1723.).

Isso é o que o mercado de trabalho pensa sobre o envelhecimento feminino, que muitas vezes pode não acontecer a dispensa destas mulheres, mas também não ocorrem mais ascensões profissionais, mas sim a mudança de função, muitas vezes para cargos inferiores.

O que ocorre também é uma não contratação por motivos velados, alegando que a pessoa é muito experiente para a função, ou que a função já foi preenchida.

Na minha vivencia corporativa, vi isto acontecer várias vezes, talvez seja por isso que algumas mulheres na Metanoia, procuram se manter no trabalho se utilizando de recurso de beleza e rejuvenescimento, uma vez que com o envelhecimento as mulheres passam a não apresentar a aparência que possuíam na juventude, fora dos padrões esperados pelas empresas, e muitas vezes pode ser colocada em dúvida, inclusive a sua capacidade de se relacionar com pessoas mais jovens ou declínio da produção.

Na metade da vida, a consciência insiste em permanecer presas a certas atitudes e não percebe com suficiente rapidez que o mundo interior mudou e que ela também deve mudar para poder lidar com a morte (Von Frans 1957 p.41).

Vivemos em uma cultura que não confia no processo e é intolerante com a diversidade. Portanto espera-se que todas sejamos perfeitas e, além disso, que sejamos perfeitas de um jeito semelhante – se não do mesmo jeito – umas em relação as outras. Espera-se que estejamos à altura” de padrões e virtude, realização, inteligência e aparência física. Se não estivermos, espera-se que sintamos arrependimento e passemos a trabalhar mais, estudar mais, a fazer dieta, exercícios e usar roupas melhores até que consigamos nos encaixar na imagem predominante de uma pessoa ideal. (Carol Pearson, The Hero Within, pp 125-126 – Murdock 1990 p.61).

“Desde 1990, a narrativa feminina vem mudando, à medida que as mulheres se voltam a questões de identidade, relacionamento, conexão e empoderamento” (MURDOCK 1990 p.17), e que não passa pelas questões estéticas, como deixar de tingir os cabelos, por exemplo.

É possível que psicopatologias acometem às mulheres trabalhadoras caso estejam num ambiente corporativo estressante, com pressões excessivas por metas, competições, quando ela se encontra na metade da vida aliada a outros fatores da vida pessoal,
Exemplos de psicopatologias:
– Sintomas Afetivos de Humor: Tristeza, choros, apatia, irritabilidade.
– Alterações ideativas: Ideação negativa, pessimismo, realismo depressivo, ideias de morte.
-Alterações da autovalorização: autoestima diminuído, sentimento de insuficiência, de incapacidade, sentimento de vergonha, autodepreciação.
– Perdas e depressão- sintomas psicóticos: Ideias delirantes, alucinações.
(Dalgalarrondo 2019 p. 345-346)

MENOPAUSA

A menopausa se caracteriza pela interrupção da menstruação. A Menopausa acontece normalmente na metade da vida, ou seja, a partir dos 40 anos é possível que as mulheres deixem de menstruar. Parar de menstruar é como iniciar a menstruar, ou seja, acontece com todas as mulheres, podendo haver exceções, por conta de patologias.

A menarca, chegada da primeira menstruação, normalmente traz felicidade às adolescentes, que vibram com as amigas, cada uma compartilhando com as demais a sua menarca, com a sensação de que crescerão e se tornarão adolescentes.. Começam as paqueras, mudanças físicas, o primeiro sutiã, coisas que marcam este rito de passagem em nossa cultura.

Para a população indígena no Brasil, a menarca representa um momento de transformação da menina em menina moça, e várias tribos tais como os Guaranis, Nambiquaras, Yanomami, Piter Suruí, mantem suas tradições relacionadas a primeira monarca que são celebradas com a reclusão de menina moça, por um período (em meses) de acordo com a cultura de cada tribo, mantida em local escuro, com alimentos selecionados e também festas e rituais após o período de reclusão. Interessante que eles acreditam que as mulheres devem repousar durante o período de menstruarão para não terem cólicas, dores no corpo e enxaquecas. (SERPA, 2020)

Durante muitos anos a mulher recebe mensalmente a “visita” da menstruação, que pode muitas vezes ser uma alegria, para aquelas mulheres que não desejam uma gravidez e de tristeza, para aquelas que anseiam pela maternidade. Por tanto a ausência da “visita”, pode representar para algumas mulheres, um vazio, a sensação de que perdeu alguma coisa. É possível que nesta fazer algumas mulheres, podem apresentar sintomas de tristeza, impotência e as vezes sintomas depressivos, para outras, pode representar uma libertação, de não ter os incômodos, a TPM (Tensão Pré-Menstrual), os inchaços, irritações, etc.

Assim como a menarca representa um momento de transição na vida das adolescentes, a menopausa também traz essa transformação na vida da mulher de meia idade, para algumas muito sofrimento por conta de vários motivos e outras uma libertação, pois agora ela pode destinar a energia desse sangue que ficou retido em seu corpo, para se dedicar a si mesma e ao outro, com a prática da caridade, por exemplo. Hoje existem muitos grupos de mulheres maduras, que se dedicam a confeccionar enxovais destinados a mães carentes, assim como a vovó se prepara para a chegada dos netinhos produzindo peças artesanais.

A menopausa pode ser vivida com alegria e com entendimento de que se trata do início da transformação interior, um rito de passagem, e que a partir deste momento é possível haver a intensificação do autoconhecimento, liberdade de ser o que quer e, principalmente, um caminho sem volta rumo a individualização.

AS DEUSAS NA METANOIA

Falando um pouco sobre arquétipos introduzido por Jung, ele viu os arquétipos como padrões de comportamentos instintivos que estavam contidos no inconsciente que não é individual, mas universal, com conteúdo e maneiras de comportamento que são mais ou menos os mesmos em toda parte e em todos os indivíduos. (BOLLEN, 1984 p. 37)

O conhecimento do modo de ser das deusas, pode auxiliar as mulheres a entenderem seus comportamentos nos diversos relacionamentos: profissional, família, filhos, companheiros, dentre outros, o que não se resume com a identificação com uma única deusa, sendo que em diferentes momentos de nossa existência, é possível a identificação com alguma outra deusa, uma vez que cada ser humano é único.

É possível observarmos em nós mesmos, nos comportamentos similares a deusa grega Afrodite, quando olho no espelho e percebo as mudanças que estão ocorrendo no meu físico e que não chamo mais a atenção das pessoas como quando jovem, ou com Atená quando o senso de justiça está mais aflorado numa situação de impasse ou dúvida. Eu mesma já me vi como Artêmis em algumas situações, como Afrodite e como Atená em outras, dependendo do momento e da situação em que me encontro, mas é bom que as mulheres conheçam as características de algumas deusas, para que possam se dedicar ao autoconhecimento, utilizando o que apreenderam com o comportamento das deusas, caminhando firme e segura no processo de individuação.

O arquétipo de Afrodite: deusa na mitologia grega, governa o prazer, a paixão, a beleza física, a sexualidade.

Bolen, nos traz em seu livro: As deusas e a mulher, estudos realizados sob a luz dos comportamentos peculiares de cada deusa da mitologia Grega, e escreveu como seriam as deusas quando elas chegassem à meia idade, apesar de serem imortais, no entanto, como exemplo, o ciúme da beleza jovial da Psiquê por Afrodite.

Podemos inferir que ela se encontrava na Metanoia por conta do seu comportamento ao ser informada pela Gaivota que seu filho, Eros tinha sido ferido por conta da paixão por Psiquê:

Porventura desejas impor-me uma rival como nora? Julgas, realmente, devasso, asqueroso, sedutor intolerável, que somente tu podes ter filho e que eu, por causa da minha idade, não mais poderia conceber? Pois é bom que saibas: gerarei um filho melhor do que tu, ou até mesmo para te humilhar, adotarei um de meus escravos e a ele entregarei tuas asas, teu archote, as setas e tudo quanto carregas para outro fim. Nada do que possuis vem de teu pai, tudo é meu! (JUNITO 1987 v. II p.215).

É comum vermos uma mãe irada com ciúme da nora, quando ela cita que o filho está querendo impor-lhe uma rival como nora. Conheci uma história de um rapaz que resolveu morar com a namorada. Como o espaço que eles tinham arrumado era deveras pequeno, o rapaz não levou todas as suas roupas e coisas que estavam na casa da mãe. Um belo dia a mãe teve um ataque de Afrodite: pegou todas as coisas do filho, colocou em um saco de lixo e disse a ele: Você tem até a noite para vir buscar suas coisas, caso contrário, amanhã estarão todas no lixo.

AFRODITE – Deusa do amor, da paixão, da sexualidade, da beleza, da sedução.

Para uma mulher tipo Afrodite, o envelhecimento pode ser uma realidade devastadora, pois o seu poder de sedução, que é o que a move, e o desconhecimento de que o seu sucesso se deve a sua capacidade intelectual e emocional e não a sua beleza física, isso pode leva-la a psicopatologias e também acreditar que suas escolhas não foram adequadas, e se propor a dar uma mudança de rumo em sua vida.

É pouco provável que uma mulher do tipo Afrodite se prenda a Metanoia, mas sua impulsividade pode leva-la a cometer ações que possam comprometer sua situação financeira, trabalho e relacionamentos.

O arquétipo de Ártemis, na mitologia grega, deusa da caça e da lua, filha de Zeus e Leto, traz clareza de ideias, amante da natureza, aventureira. Olhando pelo aspecto de uma caçadora, digamos, que nos dias de hoje ela seria a mulher que busca a valorização da competência feminina, da capacidade de fazer mil coisas ao mesmo tempo, a proteção das mulheres, vide a punição Actéon, quando ele a viu se banhando em uma piscina junto com suas ninfas. Transformou-o em um veado adulto que foi caçado pelos próprios cães, protegeu Leto e Aretusa de serem estrupadas e puniu severamente o estuprador.

Existem muitas mulheres com características da deusa Ártemis, nos dias atuais, vide A Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, como Lei n.º 11.340 visa proteger a mulher da violência doméstica e familiar. A lei ganhou este nome devido à luta da farmacêutica Maria da Penha para ver seu agressor condenado. A lei Maria da Penha não contempla apenas os casos de agressão física. Também estão previstas as situações de violência psicológica como afastamento dos amigos e familiares, ofensas, destruição de objetos e documentos, difamação e calúnia.

Bertha Maria Júlia Lutz, nascida em São Paulo, em 2 de agosto de 1894, ativista feminina, bióloga participação direta pela articulação política que resultou nas leis que deram direito de voto às mulheres e igualdade de direitos políticos nos anos 20 e 30.

“Mulher de Fases
Charlie Brown Jr.
Que mulher ruim
Jogou minhas coisas fora
Disse que em sua cama eu não deito mais não
A casa é minha, você que vá embora
Já pra saia da sua mãe e deixa meu colchão
Ela é “pro” na arte de pentelhar e aziar
É campeã do mundo
A raiva era tanta que eu nem reparei que a lua
Diminuía”

Uma mulher tipo Ártemis na Metanoia, se tornaria reflexiva e menos aventureira, mais voltada para deusa da lua do que da caça. Ela pode olhar para os seus desejos e vontades que não foram possíveis de realizar e ela o nesta fase da vida, podendo se voltar mais para questões psicológicas e espirituais.

ATENÁ ou Atenas na mitologia grega – nascida das meninges de Zeus, “a fula do pai” identifica-se como a deusa da inteligência, da paz, das artes e dos artistas, sobretudo pelos tecelões e artesões. Estrategista, conservadora e apegada as soluções práticas, simboliza a mulher que se rege mais pela razão do que pelo coração, prefere a companhia dos homens, forte atração pelo mando e pelo poder. (BRANDÃO V III, 1987 P. 347).

Atená nunca conheceu sua mãe. Mulher prática, descomplicada e desinibida, dona de suas vontades, prefere a si do que aos outros, geralmente é bem sucedida na vida. Quando acionado o arquétipo de Atená, a mulher não se incomoda em realizar tarefas “típicas” dos homens como por exemplo: trocar o pneu do carro, trocar um chuveiro, carregar algo pesado e nega ajuda masculina, quanto atua como árbitro, encara um jogador de futebol mais alto que ela, dificilmente terá “melhores amigas”. Foi Atena quem ofereceu o escudo a Perseu, que, olhando para o reflexo da Medusa no escudo, conseguiu decapitá-la por ser a protetora dos guerreiros. Costuma aparecer nas imagens e esculturas, com uma coruja em uma das mãos, daí a coruja ser o símbolo da sabedoria.

Uma mulher tipo Atená na Metanoia: considerando a Atená como uma mulher estrategista, ela deve ter se programado para quando ela chegasse na meia idade, portanto, o envelhecimento não a apavora, por estar segura de suas finanças, bens, amizades e sentimentos. Ela não entraria numa crise na menopausa, aliás ela se sentiria livre com ela. Não sentiria a ausência dos filhos, pois ela formaria com os filhos uma comunidade de amizade, parceria, e não pessoas que dependam dela, e agora ela pode fazer uma pós graduação, ou mesmo entrar numa escola de alfabetização, viajar, conhecer novas possibilidade de crescimento e conhecimentos. Talvez ela tivesse uma crise no relacionamento, mais por conta da crise da meia idade do seu companheiro (a). Ela não se preocuparia com o seu envelhecimento, com a pele mais flácida ou, menos atraente, pois para ela, o que conta é a sua inteligência e sua capacidade de decisão e de traçar o seu próprio caminho.

O profissional em psicologia que conhece a mitologia e consegue identificar na sua cliente o arquétipo que está constelado naquele momento, ela poderá lançar luz sobre estes comportamentos a fim de encoraja-la a tomada de decisões e perceber, que determinadas atitudes podem liberta-la ou prejudica-la no futuro próximo, como por exemplo a vontade de deixar o emprego por que se sente preterida. Eu mesma, durante esta fase, tinha vontade de me aposentar, mas a razão sempre falava mais auto e eu desistia de sair.

Como sempre a chave da felicidade está no autoconhecimento, que ajuda as pessoas nos ritos de passagem, que no caso da Metanoia se caracteriza pela passagem da idade adulta para a velhice, culminando com o objetivo maior que é a inegável, morte.

Todos nós temos a possibilidade de sermos felizes neste planeta, apesar dos percalços e do principal objetivo da vida que é a morte.

CONCLUSÃO

Batidas na porta da frente, é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração, é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar
Eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo, é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
Resposta ao tempo
Nana Caime
Composição: Cristóvão Bastos / Aldir Blanc.

A Metanoia é uma oportunidade que todos nós temos para que possamos ser nos mesmos, é quando temos a oportunidades de renascer de uma forma mais harmoniosa e coerente com a nossa essência. É a oportunidade de deixarmos de lado tudo aquilo que não nos faz bem e buscar o novo, o que antes era desejado e não era possível de realizar e ter comportamentos e pensamentos que antes eram impensáveis, e que não importa mais, o que as pessoas vão pensar a respeito, o que passa a importar é o nosso sentimento, de realização e de completude.

O estudo e a aplicação da Psicologia Analítica, coloca nas mãos dos profissionais em psicoterapia, instrumentos amplamente testados e com efeitos curativos comprovados em diversas publicações que existem hoje. O drama da Metanoia que muitas mulheres vivem, poderia ser minimizado, e até compreendido e dissolvido se o acesso a tratamentos terapêutico tivesse maior espaço para que a população em geral pudesse usufruir deste benefício. Esbarramos também, na questão do conhecimento dos objetivos da psicologia, seus benefícios e resultados alcançados com a pratica.

Esta falta de conhecimento esbarra nos tabus, principalmente no público masculino, que estigmatiza a psicologia como algo que so serve para os fracos, acreditando muitas vezes, ser capaz de resolver seus questionamentos sem ajuda.
As mulheres apresentam um comportamento diferenciado, pois elas costumam compartilhar seus problemas, com amigas, vizinhas, nos salões de beleza, amigas das redes sociais, que, quer queira ou não, ajudam por intermédio dos “desabafos”, a compartilhar seus pensamentos, sentimentos, o que as faz trazer para o consciente aquilo que o inconsciente insiste em mostrar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A vida é uma jornada exalta com começo, meio e fim. A questão é: Como encaramos tudo isso. A vida é repleta de surpresas e desafios e todos nós sem exceção, temos condições de passar pelas dificuldades obtendo o maior proveito possível. Pois é na adversidade que crescemos e evoluímos. Nossas vidas são feitas de fluxos, temos aqueles momentos de calmaria, que é quando podemos refletir sobre os acontecimentos e caminhar para uma mudança de atitude e aprender a lidar com as surpresas “desagradáveis” que a vida nos apresenta, pois é durante a crise, que ocorre uma redução no nosso processo de individuação, e é quando podemos vivenciar a crise com todas as suas peculiaridades, e depois com a calmaria, refletir e tomar posição continuando com nosso processo de individuação, agora mais seguro, mais centrado. E assim segue a vida rumo ao seu destino.

Música: Como Dizia o Poeta
Toquinho e Vinicius de Moraes
Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, aí
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não
Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARTIGO – Mulheres e o envelhecimento populacional no Brasil – José Eustaquio Diniz Alves. Universidade Federal de Juiz de Fora 2016.
ARTIGO: BARRETT, Anne E. & NAIMAN, Miriam -Sessions, M. (2016) É a nossa vez de jogar: Performance da infância como resposta coletiva ao preconceito de idade de gênero na sociedade. Envelhecimento e Sociedade Vol. 36(4), p.764-784- Traduzido do Inglês.
BRANDÃO, Junito de Souza., Mitologia Grega, v. II e III. Petrópolis: Vozes, 1987
BOLEN, Jean Shinoda, As Deusas e a Mulher – Nova Psicologia das Mulheres, PAULUS 1990.
DAUGALARRONDO, Paulo, Psicopatologia e Semiologia dos transtornos Mentais. Artmed Editora, 3ª edição. 2019.
ARTIGO: FINEMAN, Stephen (2014). Age matters. Organization Studies Vol.35 (II) p.1719-1723.
HOLLIS, James, A passagem do meio: da miséria ao significado na meia-idade Paulus, 1995.
JUNG, C. G. A Natureza da Psique. In: Obras completas de C. G. Jung. v. VIII/2. 5ª Ed. Petrópolis Vozes, 2000.
JUNG, C. G. Estudos Sobre Psicologia Analítica – Psicologia do Inconsciente e O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1981
MURDOCK, Maureen, A Jornada da Heroína, GMT Editores, 2022.
PESQUISA: CARVALHO E CRUZ, Fabrícia Jóisse Vitorino Carvalho e Mércia Santos da Cruz – Prevenção a Saúde se Resume a Evitar Doenças? Uma Investigação para Diferentes Níveis Preventivos.
TESE: DIAS SCOPEL, Raquel Paiva – Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – A cosmo política da gestação, parto e pós-parto: práticas de auto atenção e processo de medicalização entre os índios Munduruku, 2014.
VON FRANZ, Marie Louise, A Sombra e o Mal nos Contos de Fada, PAULUS 2ª edição 2020.
ARTIGO: SERPA, Maria Clara, O Sangue menstrual entre os povos indígenas brasileiros. Nov.15, 2020. https://medium.com/nosso-sangue/o-sangue-menstrual-entre-os-povos-ind%C3%ADgenas-brasileiros-1fc4b700dcd9